quarta-feira, 14 de setembro de 2011

E a recíproca é verdadeira

Vez ou outra me pego escrevendo sobre amizade. Ainda sou crédula o suficiente pra acreditar nesse conto de fadas semi impossível de vivenciar hoje em dia. Cego a crer que o Papai Noel é mais possível de ver, que uma amizade sincera.

Tenho visto pela vida, que quem se diz amigo não vai estar ao seu lado quando você mais precisar. Quando mais floreios verbais, menos amizade.

Amigo que é amigo tem um quê de pai, de irmão, de amparo, de bronca, de disciplina, de porto seguro. É estar próximo mesmo a mais de 3 mil e 800 kilômetros de distância geográfica. É saber aconselhar e ouvir, perceber e confortar, sentir e valorizar, ensinar e aprender, perdoar e ser perdoado.

Amizade é reciprocidade de verdade...

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Meus 7 anos

video
edição feita com duas pitadas de vídeos bons e uma música maravilhosa: 
http://www.youtube.com/watch?v=LSWVSzYTVpg&feature=player_detailpage
http://www.youtube.com/watch?v=kP4QHmrBWwE&feature=player_detailpage
http://www.youtube.com/watch?v=VsSS8qKIHI4&feature=player_detailpage


Me sinto criança, com o perdão da próclise. Me sinto errante, suja de tinta, de joelhos ralados. Me sinto experimentando hoje, só hoje, o primeiro dia da minha vida. Levo no peito, um transatlântico de sonhos, de vontade de subir em árvores, de roubar goiabas, de escrever um livro.

Carrego no coração a dor dos tombos, mas a lembrança boa de pelo menos ter tentando sorrir. Me sinto criança, sem muita noção de ontem e de amanhã. Só sei que ontem eu errei, e que amanhã quero acertar. Me sinto amparada por um abraço, por uma palavra doce. Tenho um apego imenso por açúcar e por minha tertúlia de estimação. Não ligo pro que tenho, minha riqueza é quem tenho.

Me sinto criança em vários sentidos. Sou curiosa, sempre fui, sempre serei. Quando deixar de ser, terei também deixado de ser eu mesma. Não vejo rotina, vejo paletas de cores, não vejo rostos, vejo seres humanos, não vejo nuvens, vejo desenhos engraçados, não vejo o amanhecer, vejo o milagre de mais uma chance.

Me sinto meio só, meio só eu, mas assim eu me encontro comigo, pra tentar pensar numa forma de ser melhor pras pessoas, pros queridos donos do meu coração. Coisa melhor que simplicidade não há. Coisa melhor que carinho de cachorro, abraço apertado, algodão doce, música boa e a maré sob os pés... ainda não vi nada melhor que isso.

Me sinto criança, com o perdão da próclise, com o direito de errar nessa grande lição de casa que é a vida.

domingo, 11 de setembro de 2011

Parábola do mudo e do surdo

A pseudo superioridade do ser humano reside em sua capacidade de raciocinar e de comunicar seu raciocínio aos demais. Ora, se tantas vezes falhamos em conseguir transmitir o que pensamos e sentimos, não somos tão superiores, não é mesmo? A história a seguir mostra como é importante lembrarmos-nos do quanto somos seres falhos, para só assim, conseguirmos perdoar os defeitos do próximo.

Conta um pescador de sonhos, que em um vilarejo chamado Sábado, havia dois amigos que compartilhavam da cumplicidade de irmãos. Um deles, o Mudo, era verborrágico, inconseqüente e infantil. Já o Surdo era sereno, companheiro e introspectivo. Não se sabe como dois diferentes poderiam ser tão iguais.

Cada um possuía seus defeitos, mas eles só viam suas qualidades, característica comum aos habitantes de Sábado. Um belo dia, o Mudo percebeu que o Surdo estava enveredando por um caminho tortuoso. Tratava-se de uma estrada que levava a uma terrível besta chamada Hiato, conhecida por lançar maldições sobre as amizades mais sinceras, com o intuito de devorá-las.

O Mudo decidiu aconselhar o surdo a não seguir por trecho tão perigoso:
- irmão, não siga por aí, sei que você vai se machucar!
- obrigada pelo conselho, irmão!

O Surdo, porém, com toda sua serenidade e gratidão, continuava seguindo pela estrada tortuosa. O Mudo, desesperado ao ver seu irmão agindo daquela forma, gritava e esbravejava, sem ser ouvido... Pois, seu único desejo era que ele fosse feliz.

Contaminado pelo veneno de Hiato, que pairava no ar, o Surdo deixou de ouvir seu irmão, interpretando absolutamente tudo que ele dizia, de forma equivocada.

Os dois irmãos distanciavam-se cada vez mais, um por preocupar-se demais, e o outro, por não compreender as intenções cuidadosas do amigo. Aos olhos do Surdo, o Mudo havia se transformado em uma pessoa grossa e inconveniente. E o amigo que tentara ajudar, percebia que talvez tivesse agido mal, mas com isso, sentia-se cada vez mais abandonado. Conforme a mágoa crescia, crescia a força de Hiato, que se alimentava de corações feridos.

Diz o pescador de sonhos, que a culpa era dos dois. Um não soube se expressar e com isso, confortar e cuidar, enquanto o outro, não teve humildade para ouvir e aprender.
Essa história se repete todas as vezes em que dois amigos não se compreendem e agem como dois estranhos. No vilarejo de Sábado, ficou a lição de sempre sermos humildes para reconhecermos nossas fraquezas e estendermos as mãos e os ouvidos para o próximo.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Uma pequena dose de bom dia

Tenho visto, nas minhas andanças, gente que já nasce velha e gente que envelhece jovem. Tudo na vida é ponto de vista e toda vista tem a opção de enxergar o que quer. Acordar e decidir ser feliz é mais difícil que reclamar, dar bom dia é mais difícil que calar, sorrir é mais difícil que ser casmurro, crer é mais difícil que ignorar e por consequência, amar é muito, mas muito mais difícil que iludir-se em vãs experiências.

Acontece que nós, irremediáveis errantes, insistimos em deixar a vida passar diante de nós sem aproveitá-la de verdade, sem buscar olhar pro que realmente importa e principalmente pra dentro de nós. Sim, porque olhar pra dentro nos leva a descobrir todo o lixo que carregamos no nosso DNA tão defeituoso, como o orgulho e a vaidade, que nos entorpecem diante de nossos outros milhares de defeitos. Achamos mil desculpas, mil vírgulas pra nos justificar de sermos assim... e caímos na velha frase "eu nasci assim". Puro egoísmo deixar de tentar melhorar, se não por nós, mas por quem amamos.

Gente que nasce velha só reclama de dor, de cansaço, de tudo. Gente assim, não vive porque tem medo da morte. Gente que envelhece jovem aprende sem cessar, porque sabe que sempre vai ter alguma coisinha pra aprender, até o "fim". Gente que crê tem mais força do que gente que ignora. Gente que ama, padece um pouco, porque amar não é coisa fácil e bonitinha, que nem a gente vê nos contos de fada. Mas amar te eleva, te ensina. Quem não sabe dar bom dia pra vida, não recebe dela um bom dia.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Positividade sem motivos

Vontade de escrever pelo simples prazer de encostar o coração no papel, de dar vida à mente pela tinta da caneta de pena, das páginas do diário, de um pouquinho de solidão pra refletir e uma boa luz do sol no jardim, pra me inspirar pelo verde da grama e pelo cantos dos pássaros.

Vontade de passar um mês sem ligar o computador, respirando o silêncio da minha casa e dos meus livros.

Vontade de amigos, de música, de estar longe das 4 paredes. Vontade do analógico, de aposentar o digital só um pouquinho. Vontade de calendário de mesa, de relógio de ponteiro, café da manhã em casa.

Saudade do meu diário quase mensal. Vontade imensa de tirar a poeira do violão... vontade constante de praia.

Desejo de vencer as dores dessa Terra de expiações, com fé, coragem e resignação. Desejo de fazer o bem pra quem amo, só o bem. Desejo de querer fazer o bem pra quem eu não amo.

Vontade de aprender intelectual e moralmente. Vontade de dar saltos maiores, de ser melhor, de deixar os defeitos pra trás.

Vontade de olhar uma folha caindo, a luz amarela do sol nascendo, de sentir o barulho do mar ecoando no coração. Vontade de ser gente grande, de pensar nos outros mais que em mim, de ser mais paciente e tolerante.

Vontade de olhar pela janela e descobrir tudo que os meus olhos não podem ver. Vontade de fechar os olhos e ver Deus pulsando no coração e me encher de esperanças, de combinar verso com prosa.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Cão que ladra, anda no colo e usa lacinho


Como diria Vinícius de Moraes, "aquele que diz sou, não é e aquele que é mesmo, é não sou". Sempre repito isso meio que como um mantra de vida, pois uma das piores coisas é ver que cão que ladra, às vezes mede vinte centímetros, anda no colo e usa lacinho.

Criticar infundadamente, só pra se sentir superior, só pra transformar próprios pontos de vista em verdades absolutas, não vale. As boas críticas são as que fazemos a nós mesmos, naqueles momentos em que botamos a cabeça no travesseiro e a mão na consciência. A auto crítica é o único exercício que pode nos elevar moralmente, apagar o nosso maior defeito: o orgulho e por conseguinte, todos os outros subdefeitos que carregamos sobre os ombros. Antes de falar, vale pensar. Temos todo direito de expressarmos nossa opinião, mas é necessário cuidado pra não agredir ninguém. Antes de se irritar, vale pensar se temos esse direito. Não me parece racional um ser imperfeito criticando outro.

Não somos sempre certos, não temos sempre razão. Não importa a cor da pele, o endereço, o grau de instrução, pois sempre existirão pessoas mais evoluídas que nós, seja moralmente, seja intelectualmente. Humildade nessas horas, ajuda muito. Não se pode encher copo cheio, portanto, ouvir mais e falar menos é uma boa dica. Isso é respeito. Isso é reconhecer-se imperfeito. Isso é permitir-se errar. E só assim se pode crescer.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Noc noc... who's there?!




Quem é você?

Essa pergunta é boa demais, não é? Quem nunca parou pelo menos uns cinco minutinhos e se perguntou "quem sou, afinal de contas?" Se você ainda não fez essa pergunta, faça. Recomendo por ser um ótimo remédio anti-robotização nessa rotina louca que nos engole se não ficarmos espertos.

Entretanto, como todo remédio, as interrogações tem seus efeitos colaterais. Perguntar-se nem sempre nos leva às respostas, na maioria das vezes, chegamos a mais perguntas, daí a angústia é maior. Ao invés de uma dúvida, temos milhares e é terrível nadar nesse grande oceano de perguntas sem respostas.

Se penso, logo existo, certo? Melhor sofrer as consequências do raciocício a se deixar levar pela maré da vida até um dia ser largado em uma praia deserta. Tendo a imperfeição como sua essência, o ser humano nunca ficará contente com o que tem, ou com o que sabe. Se você tem uma casa perfeita, sempre achará que ela pode ser melhor ou maior, se você namora a pessoa perfeita, sempre encontrará defeitos nela... e assim vai. E assim nos deixamos levar pela inquietação típica de quem não se sabe por inteiro.

A diferença está no tentar. Andar na corda bamba é difícil, a probabilidade de cair abismo abaixo é imensa, mas o importante é ter culhões pra seguir em frente. É bom olhar pra baixo, pra se manter estável, pra frente pra saber pra onde estamos indo, pro lado, pra aprendermos com os erros dos outros e pra trás, pra aprendermos com nossos próprios tropeções.