quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O peso da ausência

A vida é incrivelmente frágil e tal fragilidade só é acentuada pelos próprios seres humanos, que insistem em ignorar os efeitos de suas ações no próximo. Perder alguém é como ter um grande buraco no estômago, uma falha na memória, que insiste em mostrar, de vez em quando, imagens tristes, das quais você não quer lembrar.

Sentir saudade de alguém que não vai mais voltar, pelo menos não nesse plano material, é como precisar respirar um ar, que o organismo sente que não está mais aqui... e com isso, sufocamos, choramos, na ânsia de abandonar essa dor, que parece tomar conta de nós. De uma hora pra outra, ficar a sós conosco se torna um fardo de lembranças ruins, de vontade de poder mudar tudo... e repetimos muitas frases iniciadas por "e se"... e vem a culpa, a revolta, e a dor.

A ausência de quem amamos tem um peso enorme, acho até que tem cheiro. De repente, o chão que era palco de brincadeiras, fica vazio... e o sofá parece dizer "falta alguém aqui"... e o prato de comida inerte, no qual ninguém vai mais tocar... e os primeiros raios de sol da manhã, que não vão mais iluminar a mesma alegria... e a porta que se abre pra mostrar o vazio... e o pulsar do coração pequeno junto de nós, naquele abraço caloroso... tudo isso se vai, em um piscar de olhos.

Tem gente que é flamenguista, tem gente que é advogado, tem gente que é vendedor... mas pouca gente sabe o valor de ser humano antes de tudo. Pouca gente se abre pra amar o próximo, seja ele o homem "mais" importante do universo ou o gatinho mais frágil da rua.

Há vida em um ser se há nele um espírito, se há nele, um coração pulsando. Não importa o formato nem o tamanho do coração, pois se ele pulsa, é um desenho do mesmo criador que nos soprou a vida. Ser humano de verdade, é respeitar cada coração, saber que cada ação, tem uma reação na vida do próximo.


À Mia, que deixou uma saudade enorme...

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