sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Opa! Tá na hora da novela!
Qual o grau de importância que damos pras coisas? O que pesa mais na balança das nossas prioridades, o que temos ou quem temos na vida? Será que somos capazes de parar um minuto de vislumbrar nossos lindos umbigos pra fazer algo por alguém? Como sempre, muitas interrogações.
Meus pensamentos, meus textos, minhas vãs filosofias e meu blog são catalisados pela minha inquietação. Sinto vontade às vezes de me transformar em uma anti-heroína, a la Batman e sair kicking asses por aí. Quanto mais observo o circo diário da vida, mais tenho certeza de que a maioria dos meu caros colegas de planeta não fazem a mínima idéia de que estão vivos. Sabemos que temos que ajustar o despertador pras cinco e meia da manhã, que temos que dirigir exalando nossa superior dominância pelas ruas, espalhando sangue no asfalto, se necessário, gritando com todos, se necessário. Sabemos que temos que trabalhar feito laranjas mecânicas. Sabemos que precisamos comer no meio do dia e sempre lembramos de reclamar um pouquinho da comida, do calor, do trânsito, do trabalho, do chefe, da vida. Sabemos que ao fim do dia, ela nos espera... nosso grande amor, nosso prazer maior, a TV, para que em fim, possamos descansar assistindo a novela.
Minha pergunta é: em algum desses momentos, paramos pra lembrar que estamos vivos? O que nos diferencia dos "irracionais" é consciência do eu, correto? E temos consciência de nosso "eu" de verdade? Pelo que me lembro, os "irracionais" matam pelo equilíbrio ecológico, para suprir a fome. Não comem nem mais, nem menos. Não trabalham mais que o necessário, respeitam-se, vivem em comunidade sim. E nós? Acaso temos equilíbrio? Será que para dar "tudo de bom" pra nossa família, não trabalhamos tanto que perdemos as infâncias de nossos filhos? Será que pra suprir nosso imenso vazio interior não recorremos a certos remédios, como antidepressivos, calmantes, shoppings e álcool? Onde está a consciência, então? Por que estamos aqui, de onde viemos, pra onde vamos e bla bla bla... Nessa vida, ouço mais bla bla bla do que "porques".
Será que não vale a pena parar um minuto, tentar entender como poderíamos tornar esse mundo estragado em um mundo melhor? Não adianta criar religiões, passar horas "horando" palavras vazias, deixar de comer carne, meditar ou ajoelhar-se se por dentro, não há transformação. Se não somos capazes de estender o braço a um amigo que nos convida ao seu aniversário, ou nos pede um copo d'água, ou nos pede uma visita... então, qual o motivo de continuar respirando? Qual o motivo que nos impede de entender que as pessoas precisam de um olhar solidário, de um exemplo edificante, de um ombro, das nossas palavras, do nosso silêncio?
Por água abaixo, se vai nossa racionalidade, nossa solidariedade, nossa ebriedade e fica só o vazio da mente destreinada, do coração congelado, do umbigo pedante. Perdemos nossa visão, caminhamos pelo senso sinestésico, vestidos de cinza, a passos programados. Lá se vai a amizade, que só dura enquanto houver interesse por pelo menos uma das partes, que só dura se houver benefício. Lá se vão as relações construídas sobre as bases arenosas da beleza física. Lá se vão nossas finanças, que compram tudo, menos a paz de espírito. Lá se vai nossa fé, que se perde em atos fúteis.
Acredito, apesar de tudo, na reciclagem da humanidade. Preciso acreditar... porque essa realidade, só me dá vontade de sair por aí quebrando a cara de muita gente inerte. Ninguém se importa mais com ninguém, em fazer um mísero esforço pra arrancar um sorriso de uma pessoa, ninguém se importa com esse pobre e surrado meio ambiente, que nos alimenta o corpo e a alma, ninguém se importa mais com nada. Penso baixinho... "não posso jamais comprar uma AK47". Penso também... "preciso perdoar, ser mais idulgente e me manter forte nos meus princípios". Princípios estes, que aprendi com um cara que mataram da forma mais cruel possível.
Opa, tá na hora da novela. Escrevo depois!
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